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terça-feira, 30 de agosto de 2016

E depois há isto...

Há cerca de uma semana escrevia sobre o drama que é ver o insistente pedido de "soldo" (aqui, adaptado para "saldo"). Digo drama porque acredito que nem sempre o pedido seja feito por vício e malvadez. Há muitos casos em que será feito por pura necessidade de subsistência.
Bom, mas a propósito destes "recebimentos" adicionais muito haveria a contar, até porque muito se conta também. No entanto, como é sabido, os "pré-conceitos" e "pré-julgamentos" nem sempre são amigos do bom senso. 
Num dos primeiros dias de Luanda fui mandada parar pela polícia (algo perfeitamente normal). Pediram os documentos da viatura, olharam-nos, verificaram-nos, não colocaram quaisquer questões e educadamente mandaram-nos seguir, agradecendo a disponibilidade. Normal, certo? Para mim também: normal.
Este episódio serve para referir que, por vezes, as histórias bizarras que se ouvem não são todas verdadeiras.
Foto retirada da Internet.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Será "apenas" uma questão de seios?

Em 2013, quando cheguei ao Rio houve uma polémica a propósito da liberação ou não do topless nas praias do Rio. Pois, exactamente: eu pensava que essa questão nem sequer era debatida, porque, para mim, cada mulher teria a liberdade para escolher o que fazer do seu corpo. Bom, mas não é isso que se passa por cá, uma vez que a prática de topless contraria o Código Penal, que “condena atos obscenos em locais públicos”.
Foto retirada da internet (autor desconhecido).
Ultimamente não tenho ouvido discussão sobre a matéria - talvez porque ainda não estamos na verdadeira época alta e de verão-, mas recordo, no entanto, que na altura da discussão do assunto, fez-se um apelo através das redes sociais para que as mulheres a favor da "despenalização" do topless aparecessem na praia de Ipanema em trajes "condizentes" com a manifestação. Recordo ainda que a organização previa a presença de milhares de participantes. Querem saber o que aconteceu? É melhor recordar a notícia.
Acredito que muitos dos que não vivem no Brasil não saberiam desta restrição. Não apenas porque não pensaram nela, mas porque os que eventualmente pensaram não suporiam que, num país onde os desfiles das escolas de samba mostram mais corpos (quase) nus, do que vestidos, a questão do topless não era sequer questão.
Esta questão nada mais me diz do que enquanto espectadora, pois nem sou assídua frequentadora de praias, nem praticante de topless. Mas, mesmo que fosse praticante: estaria a "corromper" a liberdade do outro? Tenho sérias dúvidas! Ainda assim, parece-me que haverá por aqui alguma hipocrisia nesta medida...