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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Alma botequeira: "Comida di Buteco".

Conheci a iniciativa "Comida di Buteco" em 2014, mas, já não me lembro por que razão, só visitei um dos botecos a concurso: a "Adega Pérola", em Copacabana. Aí testei o petisco sujeito a escrutínio, o "buraco quente" - pão sacadura recheado de catupiry e picanha suína grelhada e temperada com ervas finas, acompanhado de molho barbecue - e, de tão simples que pareceu, cheguei a casa cheia de coragem: vou fazer este petisco. Ora, não contei foi com um detalhe fundamental: o pão. Até hoje ainda não o encontrei por estas bandas.

Bem, mas isso agora também não importa :)

No Brasil, o boteco (buteco) ou botequim, ficou tradicionalmente conhecido como um lugar que serve de encontro entre "boémios", onde se procura uma boa bebida, petiscos baratos e uma conversa sem compromisso. No entanto, a "capital brasileira do boteco" é Belo Horizonte, onde existem cerca de 12 000 estabelecimentos - mais bares per capita do que em qualquer outra cidade do mundo.

Logótipo da edição 2015 da "Comida di Buteco".

A iniciativa "Comida di Buteco" existe desde 2000 para valorizar a cozinha de raíz e, de acordo com um dos seus fundadores, Eduardo Maya, pretende ser um prolongamento do espaço em que nos sentimos bem: a nossa casa! Este ano, a "Comida di Buteco" esteve presente em 20 cidades brasileiras e o tema central foram as frutas, que estiveram presentes em mais de 500 petiscos e botecos.

Além da presença de um maior número de cidades (eram 16, em 2014), a edição de 2015 destacou-se pela presença de mais botecos (foram 400, em 2014). A par do tira-gosto a concurso, este ano o boteco participante foi também desafiado a apresentar um petisco com Doritos, um dos patrocinadores do evento.

Depois de provar o petisco, o botequeiro (eu mesma) preencheu um boletim ("cédula") de votação e colocou-o numa urna. O voto dos botequeiros valerá 50% no total da votação; os restantes 50% serão atribuídos por um júri. Os pontos a avaliar são 4: o petisco, higiene do local, atendimento e temperatura da bebida que acompanhava o petisco. Suponho que em finais de Maio haja resultados oficiais mas, por aqui, durante esta semana e a próxima irei dar a minha opinião sobre o que vi e provei. Aguardem!

E vocês, o que têm a dizer sobre os botecos?

domingo, 10 de maio de 2015

Orelhões no Rio.

"Cabine telefónica" é o nome que lhe damos em Portugal. No entanto, aqui no Brasil é conhecida como "orelhão".

"Orelhão" foi o nome dado ao protector de telefones públicos que foi projectado pela arquitecta e designer brasileira Chu Ming Silveira. Lançado na década de 70 nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, hoje é possível encontrar orelhões em todo o Brasil, alguns países da América Latina (Peru, Colômbia, Paraguai), Angola, Moçambique, China, entre outras partes do Mundo.
Com o fim do sistema Telebrás no final do século XX, o Governo brasileiro decidiu que era necessário criar metas para a popularização do serviço telefónico e assim os orelhões passaram a surgir como opção para quem não tinha como pagar uma linha telefónica. Desta forma, passou a ser permitida a realização de chamadas telefónicas gratuitas. Para quem quiser saber um pouco mais sobre esta temática, vale a pena passar por aqui.
No caso concreto do Centro do Rio de Janeiro, é bem conhecido o uso dos orelhões para propaganda de serviços sexuais. Aliás, este uso motivou mesmo uma acção do Ministério Público Estadual
Verde água é a cor dos orelhões da cidade do Rio.

Orelhões junto à estação de metro Siqueira Campos (Créditos da foto: ANFS).
E agora, vamos ligar para casa?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Contamos com a broa?

Festas dos santos populares em aproximação progressiva equivale a um pensamento súbito: sardinhas. E broa de milho. 
Quanto às sardinhas, estamos safos: a oferta por estas bandas é quantitativa e qualitativamente boa. Mas, senhores, e a broa!?
Broa de milho (brasileira) vendida no Rio de Janeiro. Nesta foto pode ver-se a apresentação exterior e interior. (Créditos das fotos: ANFS)
Começo por contar um episódio que me aconteceu há largos meses.
Recordo-me de que cheguei cedo para o compromisso que me levava até Botafogo, pelo que decidi "fazer horas". Ora: parei numa lanchonete, sentei e, ao olhar para o cardápio, lá estavam "elas": "broas de milho".
Estranhei, confirmei se tinham as ditas broas e pedi para a colaboradora trazer. Antes de me chegar às mãos (boca?) perguntei o que eram estas "broas de milho" e a colaboradora respondeu que tratava de uma espécie de biscoito bem "gostosinho". Lá pensei: "não deve matar". Siga!
E não é que era mesmo agradável? Não sei equiparar o sabor, mas destaco a presença de erva doce. Não tem a consistência fofa de um (verdadeiro) queque, por exemplo, mas é bem agradável e não é excessivamente doce.
Se quiserem e tiverem competências nesse domínio, podem testar esta receita: pareceu-me simples e bem explicada. Contudo, esta agradável broa de milho nada tem a ver com a referência tradicional portuguesa.
Well, por isso continuamos com o problema de encontrar a broa portuguesa. Na cidade de São Paulo parece que o caso tem sido fácil de resolver na famosa Casa Mathilde. Para já, algumas informações - não confirmadas - apontam para a existência do pitéu nos seguintes locais da cidade do Rio:
- Emporio Lamego: Rua Carmela Dutra, 5 (Ru Conde. de Bonfim), RJ | RJ, 20550-045.
- Talho Capixaba: Avenida Ataulfo de Paiva, 1022 A - Leblon | RJ, 22440-032.
- Talho Café (filial do Talho Capixaba): Rua Marquês de São Vicente, 10, loja E, Gávea | RJ, 22451-040.

Como ficou bom de ver, mais uma vez os usos e costumes de Portugal e Brasil não coincidiram. Para quem não conhece, a broa de milho portuguesa nada tem a ver com a brasileira: tradicionalmente assada no forno a lenha, é feita com uma mistura de farinhas de milho (branco ou amarelo) e trigo, ou milho e centeio (como a broa de Avintes), e levedura. Para quem quer saber um pouco mais sobre o modo de confecção da broa portuguesa, aconselho passar por este blog.
Broa de milho (portuguesa) no forno a lenha. (créditos da foto: desconhecido)
Pergunta que se impõe: será que poderemos contar com as broa de milho portuguesa para fazer umas sardinhadas por estas bandas ou vamos ter de contar com a broa de milho brasileira? :)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Food trucks: comida em movimento.

Os "food trucks" começaram a ganhar força nos EUA e na Europa após a crise económica de 2008 quando chefs famosos e jovens empreendedores apostaram no novo ramo: servir comida mais ou menos requintada, na rua, numa espécie de pequeno "camião". Para se ter uma ideia, no final de 2013, Nova York, uma das cidades pioneiras neste conceito, já tinha uma associação de "food trucks" com 50 membros, que juntos tiveram uma receita de mais de 7 milhões de dólares. 
Ora, mas afinal: o que têm os "food trucks" a ver com esta minha experiência no Brasil? A resposta é que foi aqui que experimentei o conceito pela primeira vez: apesar do sucesso crescente na cidade de São Paulo, a 1.ª feira de gastronomia e "food trucks" no Rio de Janeiro só aconteceu em finais de 2014.

Enquanto consultora, não posso ficar indiferente ao conceito (um pouco mais trabalhado que as famosas comidinhas de rua, de que um dia falarei aqui) e destaco um ponto positivo e um que não o é tanto:

- positivo: à entrada do recinto, o cliente é convidado a adquirir umas senhas, que lhe servirão para a aquisição dos vários produtos junto dos "food trucks". Não há pagamentos em dinheiro ou cartão nos "food trucks", mas apenas com estas senhas: se o cliente comprou determinado número de "senhas" e estas não lhe chegam para o seu consumo, então só precisava voltar à entrada do recinto para adquirir mais. Esta acção evita filas demoradas e tempo desnecessariamente dispensado em pagamentos junto dos "food trucks".

- menos positivo: demora no fornecimento dos produtos de cada pequeno "camião ("caminhão", como se diz por aqui).
Para já, uma amostra de um dos "food trucks" presentes na Feira Planetária que ocorreu nos dias 11 e 12 de Abril de 2015, no Rio de Janeiro. Este fim-de-semana (9 e 10 de Maio) há mais e no sítio do costume: junto ao Planetário da Gávea. Apareçam (ok, quem puder, claro)!

(Créditos das fotos: ANFS)
Ficaram com vontade de ver mais detalhes sobre o evento de Abril? Podem dar uma olhadela na nossa página do Facebook.

E que tal criar um "food truck"? Vejam o que é preciso para o fazer no estado do Rio de Janeiro. É só seguir este link. Ainda assim, se precisam de mais informação genérica sobre a matéria, o Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - tem algo a dizer sobre isso no seu mais recente estudo lançado em Abril deste ano.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cá estamos!

A ideia não é de agora. No entanto, amadureceu e, finalmente, veio a público. O projecto "Work & Stuff" pretende ser mais do que um devaneio: será testemunho vivo de alguém que, mais do que trabalhar no domínio da Consultoria, gosta de viver e apreciar o que o rodeia. Para já - ainda que sem rigor cronológico ou pretensões de outro tipo -, irei dar testemunho da minha vida e peripécias no Rio de Janeiro (Brasil).
Sejam benvindos!