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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Biscoitos ou doces de feira.

Quem nos acompanha no Instagram, por exemplo, sabe que já lá falámos do assunto: os biscoitos de feira. No Brasil, as pequenas iguarias vendem-se ao kilo e a sua variedade é imensa. Em Portugal também temos os chamados "doces das festas" e podemos dizer que apresentam algumas diferenças em relação ao que vemos nas feiras livres que temos visitado no Brasil. Aqui vão algumas:

  • não se vendem ao kilo - são mais facilmente encontrados em sacolas ou vendidos à unidade;
  • são maiores - embora existam de variadíssimos tamanhos e formatos, os biscoitos que se vêem no Brasil são geralmente menores do que os que se vêem em Portugal;
  • encontram-se nas feiras e festas populares - suponho que é mais fácil encontrar os bicoitos brasileiros no supermercado do que nas festas que se fazem;
  • há menos diversidade - apesar de podermos encontrar regueifas doces, de canela, de côco, roscas, cavacas, suspiros, doces de gema e outros mais, a verdade é que a variedade que se encontra nas feiras brasileiras é bastante maior do que a que tenho encontrado em Portugal.
Da esquerda para a direita: cavaca, suspiro e doce de gema.

Na foto poderemos ver alguns desses doces caseiros encontrados em algumas das festas populares portuguesas :)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Feijoada.

Feijoada.
Brasil combina com uma série de coisas: samba, cerveja, caipirinha, praia, churrasco e... feijoada! No caso do Rio de Janeiro, a feijoada tem especial destaque às sextas e sábados, dias em que mais facilmente vê como destaque em promoções ou pratos do dia. Obviamente que também se pode comer feijoada nos outros dias, mas é normalmente naqueles dois que se pode abusar :)
A feijoada acompanha geralmente com rodelas de laranja, couve mineira, farofa, torresmos, arroz branco, feijão preto com carne seca, linguiça e outras (costela suína salgada e/ou defumada, barriga, língua, são apenas algumas das possibilidades). Em alguns locais também pode vir acompanhada de banana frita, aipim e batatas igualmente fritas. 
E para beber? Bem, cada um bebe o que quer, mas normalmente não falta a capirinha!
Bom fim-de-semana!


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

É tudo uma questão de carne.

Carne ou... frango?

A questão surgiu por acaso e pouco tempo depois de chegar ao Rio. Estávamos a ver um programa de culinária na TV e, de repente, alguém diz que estava indeciso entre fazer um prato de carne ou de frango. Óbvio: "reis" de toda a verdade que éramos, crucificámos mentalmente a criatura que proferiu tal "blasfémia".
Entretanto, o tempo passou até que um belo dia percebemos que os "errados" éramos nós: aqui faz-se a distinção entre carne (porco, vaca e afins) e... frango (na verdade, deveria dizer-se antes "aves", mas a maioria das pessoas refere "frango", por oposição à carne).

Vivendo e aprendendo :)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Festas juninas e as semelhanças com os Santos Populares.

A primeira vez que ouvi falar nas festas juninas foi o ano passado, no Rio de Janeiro. O que começou por me chamar a atenção foram as vestimentas à venda nas lojas. Mais tarde, tive a oportunidade de participar numa festa junina e: adorei!
Como as festas de que ouvia falar ocorriam no mês de Junho, a primeira ideia que me ocorreu foi: festas juninas = festas dos santos poulares. Algumas semelhanças existem, mas, de facto, as tradições são um pouco distintas. Actualmente, apesar de as festas juninas se concentrarem essencialmente no mês de Junho, estendem-se ainda pelos meses de Julho e Agosto.
Quadrilhas, uma das danças típicas
(Crédito da foto: desconhecido).
Parece que as "festas juninas" ou "festas Joaninas", como eram conhecidas no início da tradição, foram trazidas para o Brasil, pelos Portugueses, na época da Colonização. No início, ocorriam no mês de Junho e em homenagem a São João.
Apesar da grande herança Portuguesa, havia ainda influência cultural de chineses, espanhóis e franceses. De França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição dos fogos de artifício, veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da Península Ibérica teria vindo a dança de fitas. Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país. 
Algumas das comidas típicas das festas juninas
(Crédito da foto: desconhecido).
Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão: além de se fazerem homenagens aos três santos católicos - São João, São Pedro e Santo António -, também se aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região.
E o que vemos nas festas juninas? Comidas típicas e tradições diversas.
Como o mês de Junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados com as festividades, são feitos deste alimento: pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais. 
Roupa feminina tradicional
(Crédito da foto: desconhecido).
A par da comida típica, existem ainda algumas tradições que não costumam faltar: as fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas; os balões; a formação dos grupos festeiros, que vão andando e cantando pelas ruas das cidades e, ao passar pelas casas, os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas. Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses, realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.
A par destas tradições, é habitual vermos as lojas todas preparadas com a venda de vestimentas adequadas para a época: chapéus de palha, camisas ao xadrez, vestidos curtos e coloridos. Enfim, uma festa!

E vocês, já participaram em alguma festa junina? Se sim, o que acharam?

terça-feira, 2 de junho de 2015

Feiras livres: cores e cheiros.

Ao contrário do que habitualmente via em Portugal, aqui no Rio de Janeiro as feiras semanais que se encontram espalhadas pelos bairros da cidade, não incluem a venda de roupa, sapatos e outros artigos não comestíveis. Aqui, encontramos desde legumes e ervas aromáticas, frutas, peixe, ovos, frangos, queijos, flores a biscoitos de feira. A par deste tipo de feiras, também há as feiras de artesanato, antiguidades, etc. No entanto, nestes casos, a regularidade não costuma ser semanal.
Porções de pimentas
(Crédito da foto: ANFS).
A estas feirinhas, com dias específicos para se realizarem em cada bairro, chamam-lhe "feiras livres". Para quem quer conhecer o dia e bairro em que acontece cada feira, basta aceder ao link.  Parece que não é clara a origem das feiras livres: uns dizem que surgiram em 500 a.c. no Médio Oriente, outros, na Idade Média, associdadas a festividades religiosas. No caso concreto das feiras existentes no Rio de Janeiro, estão maioritariamente associadas a origens Portuguesas e/ou trabalhadores oriundos do Nordeste do Brasil. Para que se tenha uma ideia mais precisa: actualmente existem cerca de 200 feiras livres no Rio, nas quais participam quase 6000 trabalhadores, que por sua vez movimentam cerca de 13 mil toneladas de produtos/mês.
Legumes vendidos em sacos:
nem sempre está o mesmo número de unidades em cada saco
(Crédito da foto: ANFS).
Salvo algumas exceções, normalmente os legumes, ervas aromáticas e frutas não são pesados em balanças. Estes são vendidos por lote, saco previamente composto por X unidades de produto ou tijela, em que cabem Y unidades (exemplo: venda dos pequenos frutos, como a jabuticaba). Não raramente também se vê a venda de "3 por 5", o que na realidade significa "três unidades de um produto, por 5 reais", por exemplo.
Eu, particularmente, gosto destas feiras: pelo cheiro, pela movimentação de pessoas, pelos pregões, pelas cores, pela observação das técnicas de venda e, sobretudo, pela oportunidade de trocar meia dúzia de palavras com os comerciantes. Como disse anteriormente, algumas destas feiras têm origem portuguesa, o que ainda é muito visível: vendedores com origens em Viseu são os que mais tenho encontrado. E, sim, alguns ainda conservam o "bigode" e um ligeiro sotaque português, apesar de décadas de convívio com Brasileiros.

Vão vendo a nossa página do facebook: mais tarde publicaremos mais fotos.

Ficaram com curiosidade?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tema quente: taxa de serviço.

Não bastando os preços absurdos da restauração e demais serviços na cidade Maravilhosa - nada contra, se, ao menos, o elevado preço correspondesse a um serviço de alta qualidade-, ainda temos direito a "bónus": taxa de serviço. 
Referência ao facto de o pagamento da taxa de serviço não ser obrigatório.
(crédito da foto: ANFS)
Quem "pousa" pela primeira vez no Rio de Janeiro e precisa de ir almoçar ou jantar em qualquer restaurante da zona, fica a perceber - quando lhe entregam a conta do respasto -, que tem um valor "extra" para pagar. Ninguém avisou, ninguém preparou, mas está lá: é a taxa de serviço. Supostamente, serão 10% ou 12% (neste caso, menos frequente, mas já visto) sobre o valor consumido. Diz-se que será para recompensar o mérito dos funcionários e que, por isso, esse valor lhes será entregue. Diz-se também que o pagamento desta taxa não é obrigatório.
De acordo com a Lei estadual 4894/2006, qualquer percentagem acima de 10% é ilegal. Se a casa insistir, o cliente deve reclamar no Procon ou denunciar pelo telefone 151.
Exemplo da conta num dos restaurantes do Rio: "acréscimo" de 10%.
(crédito da foto: ANFS)

Além da famigerada taxa, existe outro "extra" que a mim particularmente me incomoda: a taxa do couvert musical. Sim: se porventura existe música ao vivo no local onde decidem almoçar ou jantar, no final, quando recebem a conta, não é raro aparecer mais um valor para pagarem, o valor do couvert musical. É certo que não é obrigatório, mas não deixa de ser algo, uma vez mais, bizarro e difícil de aceitar, sobretudo se não foi o cliente a solicitar que houvesse música ao vivo. A solução pode passar por... não pagar: nem taxa de serviço, nem couvert musical. E é nessa altura que entram os olhares matadores dos funcionários.

Há outras questões implícitas e relacionadas com a existência da taxa de serviço na factura entregue ao cliente: quem garante que o valor é realmente entregue aos funcionários? Como é que a empresa que emite a factura comprova à Receita Federal que o valor da taxa de serviço não é um proveito? Mais, nos casos em que a taxa de serviço tem de ser paga em dinheiro e a conta restante foi paga em cartão, como obter comprovativo do pagamento da taxa de serviço se o cliente tem de entregar o comprovativo de despesa à sua entidade patronal? Difícil, 'né? No entanto, acontece. E muitas vezes!

"Gorjeta", "caixinha", "taxa de serviço", "couvert musical", não importa: deve ser, na minha opinião, sempre opcional e nunca aparecer na factura.

E vocês, o que pensam sobre o assunto?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Comida di Buteco: testemunho.

Fim-de-semana à porta e impõe-se a questão: o que fazer? Independentemente do local em que se encontrem, sugerimos que experimentem sítios novos, para visitar, degustar ou simplesmente para passear ou arejar as ideias. 


Bem, no que toca a comidas e bebidas, como já aqui se disse, a edição "Comida di Buteco" de 2015 teve como tema central as frutas, que deveriam estar presentes nos pratos a concurso. No que me diz respeito, testei vários locais na zona Sul do Rio: Baixo Gago (Laranjeiras), Botero (Laranjeiras), Bar Palhinha (Humaitá), Bar Urca (Urca), Boteco Carioquinha (Lapa) e Os Imortais (Copacabana). Os preços praticados para os pratos que testei foram de 12BRL a 34,90BRL. Esta diferença de preços poderá estar relacionada, a meu ver, com as quantidades proporcionadas, bem como o tipo de produtos que entraram nos referidos pratos.

Prato a concurso, no Botero (crédito da foto: ANFS).
Gostaria de destacar aqui alguns dos aspectos que me pareceram relevantes: nível prato, envolvência, atendimento e efeito surpresa. Refiro que esta é a minha opinião pessoal e que nenhuma influência tem no resultado final do concurso "Comida di Buteco".

Prato: Botero. Maravilhoso! Não sei se porque os sabores eram diferentes daqueles a que enquanto Portuguesa estou habituada, mas fiquei agradavelmente surpreendida por um prato bem farto, onde a presença do chutney de jiló e a farofinha crocante de coco me fizeram sonhar. Acho que este prato vai ficar na lembrança por uns belos tempos. Parabéns!

Mureta da Urca (crédito da foto: ANFS).
Envolvência: Bar Urca. O pequeno bar, nas mãos do Português Armando Gomes e sua família, localiza-se numa esquina entre a rua Cândido Gafree e a Avenida João Luís Alves, na Urca, e é acompanhado de um dos detalhes mais soberbos do Rio: a mureta da Urca, com vista para a Baía de Guanabara, Cristo Redentor, Ponte Rio-Niterói e ainda, de bónus, permite ter uma pequena imagem das descolagens a partir da pista do areoporto Santos Dumont. O prato apresentado a concurso é a versão petisto do famoso Camarão na Moranga, ali servido.

Atendimento: Botero. Hesito aqui, porque, apesar de ter sido razoavelmente bem atendida em quase todos os bares, talvez tenha sido este o que mais fez diferença. Embora tenha havido um erro na conta apresentada, não me parece motivo suficiente para penalizar a atenção dos colaboradores e a disponibilidade para explicar o prato e bebida - apesar de uma casa cheia e com fila de espera (isto porque rapidamente o colaborador compreendeu e corrigiu o erro, pedindo desculpa).
    Efeito surpresa: Baixo Gago. Estação de metro do Largo do Machado, mais meia dúzia de passos e, voilà, chegámos. Gente até à porta, como não seria de esperar em período de fim-de-semana. Embora não se trate de uma surpresa ao nível do prato, achei por bem referi-la. Em Portugal não é muito comum este "fenómeno", mas que aqui é frequente: garrafas de cerveja de 600ml. No entanto, desta vez não era uma cerveja qualquer: era cerveja Sagres, feita no Brasil. Apesar do diferente sabor, por momentos regressámos a casa.

    Bem, agora é esperar para saber qual o prato vencedor no Rio de Janeiro (e desejar que o possamos ter provado). Não deixem de visitar a nossa página no facebook: vamos colocar por lá mais fotos.

    E vocês, experimentaram algum prato da "Comida di Buteco"? Ficaram com vontade de experimentar?

    segunda-feira, 11 de maio de 2015

    Alma botequeira: "Comida di Buteco".

    Conheci a iniciativa "Comida di Buteco" em 2014, mas, já não me lembro por que razão, só visitei um dos botecos a concurso: a "Adega Pérola", em Copacabana. Aí testei o petisco sujeito a escrutínio, o "buraco quente" - pão sacadura recheado de catupiry e picanha suína grelhada e temperada com ervas finas, acompanhado de molho barbecue - e, de tão simples que pareceu, cheguei a casa cheia de coragem: vou fazer este petisco. Ora, não contei foi com um detalhe fundamental: o pão. Até hoje ainda não o encontrei por estas bandas.

    Bem, mas isso agora também não importa :)

    No Brasil, o boteco (buteco) ou botequim, ficou tradicionalmente conhecido como um lugar que serve de encontro entre "boémios", onde se procura uma boa bebida, petiscos baratos e uma conversa sem compromisso. No entanto, a "capital brasileira do boteco" é Belo Horizonte, onde existem cerca de 12 000 estabelecimentos - mais bares per capita do que em qualquer outra cidade do mundo.

    Logótipo da edição 2015 da "Comida di Buteco".

    A iniciativa "Comida di Buteco" existe desde 2000 para valorizar a cozinha de raíz e, de acordo com um dos seus fundadores, Eduardo Maya, pretende ser um prolongamento do espaço em que nos sentimos bem: a nossa casa! Este ano, a "Comida di Buteco" esteve presente em 20 cidades brasileiras e o tema central foram as frutas, que estiveram presentes em mais de 500 petiscos e botecos.

    Além da presença de um maior número de cidades (eram 16, em 2014), a edição de 2015 destacou-se pela presença de mais botecos (foram 400, em 2014). A par do tira-gosto a concurso, este ano o boteco participante foi também desafiado a apresentar um petisco com Doritos, um dos patrocinadores do evento.

    Depois de provar o petisco, o botequeiro (eu mesma) preencheu um boletim ("cédula") de votação e colocou-o numa urna. O voto dos botequeiros valerá 50% no total da votação; os restantes 50% serão atribuídos por um júri. Os pontos a avaliar são 4: o petisco, higiene do local, atendimento e temperatura da bebida que acompanhava o petisco. Suponho que em finais de Maio haja resultados oficiais mas, por aqui, durante esta semana e a próxima irei dar a minha opinião sobre o que vi e provei. Aguardem!

    E vocês, o que têm a dizer sobre os botecos?

    sexta-feira, 8 de maio de 2015

    Contamos com a broa?

    Festas dos santos populares em aproximação progressiva equivale a um pensamento súbito: sardinhas. E broa de milho. 
    Quanto às sardinhas, estamos safos: a oferta por estas bandas é quantitativa e qualitativamente boa. Mas, senhores, e a broa!?
    Broa de milho (brasileira) vendida no Rio de Janeiro. Nesta foto pode ver-se a apresentação exterior e interior. (Créditos das fotos: ANFS)
    Começo por contar um episódio que me aconteceu há largos meses.
    Recordo-me de que cheguei cedo para o compromisso que me levava até Botafogo, pelo que decidi "fazer horas". Ora: parei numa lanchonete, sentei e, ao olhar para o cardápio, lá estavam "elas": "broas de milho".
    Estranhei, confirmei se tinham as ditas broas e pedi para a colaboradora trazer. Antes de me chegar às mãos (boca?) perguntei o que eram estas "broas de milho" e a colaboradora respondeu que tratava de uma espécie de biscoito bem "gostosinho". Lá pensei: "não deve matar". Siga!
    E não é que era mesmo agradável? Não sei equiparar o sabor, mas destaco a presença de erva doce. Não tem a consistência fofa de um (verdadeiro) queque, por exemplo, mas é bem agradável e não é excessivamente doce.
    Se quiserem e tiverem competências nesse domínio, podem testar esta receita: pareceu-me simples e bem explicada. Contudo, esta agradável broa de milho nada tem a ver com a referência tradicional portuguesa.
    Well, por isso continuamos com o problema de encontrar a broa portuguesa. Na cidade de São Paulo parece que o caso tem sido fácil de resolver na famosa Casa Mathilde. Para já, algumas informações - não confirmadas - apontam para a existência do pitéu nos seguintes locais da cidade do Rio:
    - Emporio Lamego: Rua Carmela Dutra, 5 (Ru Conde. de Bonfim), RJ | RJ, 20550-045.
    - Talho Capixaba: Avenida Ataulfo de Paiva, 1022 A - Leblon | RJ, 22440-032.
    - Talho Café (filial do Talho Capixaba): Rua Marquês de São Vicente, 10, loja E, Gávea | RJ, 22451-040.

    Como ficou bom de ver, mais uma vez os usos e costumes de Portugal e Brasil não coincidiram. Para quem não conhece, a broa de milho portuguesa nada tem a ver com a brasileira: tradicionalmente assada no forno a lenha, é feita com uma mistura de farinhas de milho (branco ou amarelo) e trigo, ou milho e centeio (como a broa de Avintes), e levedura. Para quem quer saber um pouco mais sobre o modo de confecção da broa portuguesa, aconselho passar por este blog.
    Broa de milho (portuguesa) no forno a lenha. (créditos da foto: desconhecido)
    Pergunta que se impõe: será que poderemos contar com as broa de milho portuguesa para fazer umas sardinhadas por estas bandas ou vamos ter de contar com a broa de milho brasileira? :)

    quinta-feira, 7 de maio de 2015

    Food trucks: comida em movimento.

    Os "food trucks" começaram a ganhar força nos EUA e na Europa após a crise económica de 2008 quando chefs famosos e jovens empreendedores apostaram no novo ramo: servir comida mais ou menos requintada, na rua, numa espécie de pequeno "camião". Para se ter uma ideia, no final de 2013, Nova York, uma das cidades pioneiras neste conceito, já tinha uma associação de "food trucks" com 50 membros, que juntos tiveram uma receita de mais de 7 milhões de dólares. 
    Ora, mas afinal: o que têm os "food trucks" a ver com esta minha experiência no Brasil? A resposta é que foi aqui que experimentei o conceito pela primeira vez: apesar do sucesso crescente na cidade de São Paulo, a 1.ª feira de gastronomia e "food trucks" no Rio de Janeiro só aconteceu em finais de 2014.

    Enquanto consultora, não posso ficar indiferente ao conceito (um pouco mais trabalhado que as famosas comidinhas de rua, de que um dia falarei aqui) e destaco um ponto positivo e um que não o é tanto:

    - positivo: à entrada do recinto, o cliente é convidado a adquirir umas senhas, que lhe servirão para a aquisição dos vários produtos junto dos "food trucks". Não há pagamentos em dinheiro ou cartão nos "food trucks", mas apenas com estas senhas: se o cliente comprou determinado número de "senhas" e estas não lhe chegam para o seu consumo, então só precisava voltar à entrada do recinto para adquirir mais. Esta acção evita filas demoradas e tempo desnecessariamente dispensado em pagamentos junto dos "food trucks".

    - menos positivo: demora no fornecimento dos produtos de cada pequeno "camião ("caminhão", como se diz por aqui).
    Para já, uma amostra de um dos "food trucks" presentes na Feira Planetária que ocorreu nos dias 11 e 12 de Abril de 2015, no Rio de Janeiro. Este fim-de-semana (9 e 10 de Maio) há mais e no sítio do costume: junto ao Planetário da Gávea. Apareçam (ok, quem puder, claro)!

    (Créditos das fotos: ANFS)
    Ficaram com vontade de ver mais detalhes sobre o evento de Abril? Podem dar uma olhadela na nossa página do Facebook.

    E que tal criar um "food truck"? Vejam o que é preciso para o fazer no estado do Rio de Janeiro. É só seguir este link. Ainda assim, se precisam de mais informação genérica sobre a matéria, o Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - tem algo a dizer sobre isso no seu mais recente estudo lançado em Abril deste ano.