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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quinguilas (ou kinguilas).

Há alguns meses que se fala na falta de divisas estrangeiras em Angola: as transferências de salários e pagamentos ao exterior não saem facilmente, por isso a procura por dólares e euros é muito superior à oferta disponível. Como resultado, as taxas de câmbio e os negócios informais disparam de forma assustadora.
A propósito deste assunto, há uns meses ouvi falar nelas pela primeira vez: as quinguilas são uma espécie de "casas de câmbio" informais, representas geralmente por mulheres ambulantes. É nelas que se fala quando o assunto é a troca "informal" de dólares/euros por kwanzas (ou vice-versa). Confesso que imaginava que fossem umas figuras meio obscuras e "escondidas" em becos (quem conhece Buenos Aires, talvez perceba o filme que fiz).
Pois bem, um dia destes cruzei-me com as tão conhecidas quinguilas: numa praça, em plena luz do dia, havia algumas mulheres sentadas e faziam sinal para que nos aproximássemos - faziam o gesto do dinheiro, como o conhecia em Portugal (dedos polegar e indicador). Ignorámos. Uns dias mais tarde, parados e meio perdidos, fomos abordados mas com um toque na janela do carro. O mesmo sinal: o gesto do dinheiro. Espantoso foi saber que estas figuras também se encontram à saída de alguns supermercados. Digo "espantoso" porque a primeira vez que as vi achei que me estavam a pedir dinheiro e não a oferecer os seus serviços cambiais.

Imagem retirada da Internet e que representa uma das várias quinguilas da cidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Preciso de "soldo".

"Soldo" = antiga moeda romana de ouro criada por Constantino em 309 e que circulou em todo o Império até ao século V. 
Esta pequena informação serve para contextualizar este post.
Em relação aos países em que vivi até há data, devo confessar que algo de curioso aconteceu por aqui: em pouco mais de um mês em Luanda, já são várias as circunstâncias em que me foi pedido diretamente o "soldo". Aliás, é raro o momento em que isso não aconteça: levar as compras, estacionar o carro, lavar o carro, recolher o lixo, e por aí vai. Ora, aquilo de que realmente eu não estava à espera é que, no âmbito de uma atividade "oficial" me fosse pedido, de forma muito direta e objetiva, um pagamento "não oficial" para que o meu problema fosse resolvido. De referir que esta situação já aconteceu por duas vezes num curto espaço de tempo.
Em resumo: "soldo", "gasosa", "mata-bicho", "saldo" ou "biscate", tudo serve quando a intenção é pedir um contributo para o rendimento extra.


Foto retirada da internet.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Cartões bancários internacionais.

Algo que me fez alguma confusão quando cheguei ao Rio, foi o fato de, sempre que ia pagar algo com cartão, me perguntarem: "débito ou crédito?". Na verdade, em Portugal, como sabemos, a pergunta até pode ser feita, mas certamente que não muitas vezes: os cartões de débito e de crédito são distintos entre si e as máquinas de pagamento também o são (por norma). Aqui o cartão de crédito e débito podem ter a mesma aparência (letras mais salientes nem sempre significam que o cartão é de crédito, como estaríamos habituados) e a máquina é a mesma: o operador tem apenas de fazer a seleção do tipo de pagamento referido pelo cliente.
Cuidado no uso dos cartões
(Crédito da foto: desconhecido).
A par desta pequena diferença, há uma outra com influência mais negativa no dia-a-dia de quem cá chega: na maior parte dos países europeus é possível efetuar levantamentos de dinheiro em qualquer caixa de multibanco (salvo raras excepções). No caso do Brasil - e apesar da diversidade de instituições bancárias existentes -, isso não acontece: às vezes é necessário percorrer várias agências para poder levantar dinheiro com cartões internacionais. Depois há ainda os limites de levantamentos diários: já consegui levantar 1200 BRL, mas nem sempre isso é possível em todas as caixas e muito menos de uma só vez. Pode acontecer ainda que alguns cartões não funcionem: MasterCard e AmericanExpress podem não ser aceites em todos os locais!
Outro assunto que considero crítico é a clonagem de cartões bancários internacionais (essencialmente): rara é a semana em que não oiço uma história de um estrangeiro (portugueses, franceses, espanhóis, entre outros) com o cartão de crédito ou de débito clonados. Muita atenção: há casos de clonagem que aconteceram inclusive em agências bancárias, durante um simples levantamento de dinheiro. Por isso, todo o cuidado é pouco!
A minha humilde recomendação é que se tenham pelo menos dois cartões de instituições bancárias distintas (mesmo que não sejam brasileiras!), que se faça a conferência regular dos extratos, que se conservem os recibos de compras e, em caso de deteção de fraude, que se alerte imediato a vossa instituição bancária - normalmente o dinheiro é devolvido sem problemas! No entanto, não deixem de seguir as recomendações dos especialistas.
Como conseguimos superar a saga de abrir uma conta num banco brasileiro, por norma aqui em casa efetuamos os pagamentos de compras com o cartão associado a essa conta. Apenas em casos muito esporádicos utilizamos os cartões estrangeiros: não apenas por causa do risco de clonagem, mas por causa da exorbitância das taxas cobradas! Ah, a propósito: se estiver como residente no Brasil, saiba que há instituições portuguesas com uma espécie de “conta emigrante” e que vos permitem utilizar os seus cartões, no Brasil, sem pagamento de qualquer taxa – quer de levantamento, quer de pagamento. Informem-se.

Espero ter sido útil com estas informações!