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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Candongueiros, essa "raça" especial.

Falar de Angola é, para muitos, falar de candongueiros.
"Candongueiro" é o nome pelo qual é conhecido o transporte colectivo e público de passageiros (pode referir-se ao veículo em si ou ao seu condutor). Distinguem-se por serem de cor branca e azul claro. Inicialmente, este transporte estava associado às carrinhas "Toyota Hiace", mas hoje já se vêem outros modelos. 
Resolvi falar dos candongueiros por duas razões: a primeira, é que são "objecto" de diversão ou terapia anti-stress quando vou no trânsito - os seus vidros traseiros têm mensagens que são autênticas "pérolas"; a segunda, é que são o claro exemplo de um péssimo exercício de condução automobilística e desrespeito pelos demais condutores. Exagero meu? Desenganem-se: acredito que façam parte do grupo mais odiado por angolanos, em geral, e estrangeiros, em particular.

Uma das pérolas (há muitas outras!)


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Comparações.

Foto retirada da Internet.
Há situações que não são comparáveis. No entanto, há uma em que penso regularmente e que me faz recuar aos tempos em que vivia na Bélgica: respeito pelos sinais do semáforo. Recordo o dia em que quase fui presa porque resolvi atravessar a passadeira com o sinal vermelho para peões - não via trânsito, por isso o fiz. Foi um "espectáculo" tão grande, envolvendo polícia, sirenes e sermão que durante anos não ousei cometer a gaffe em mais lado nenhum - Portugal incluído.
Ora, mas entretanto chego ao Brasil. E o respeito pelos semáforos não é igual em todos os locais. Por isso: muito cuidado, pois estar sinal vermelho para peões ou condutores não deve ser sinónimo de transgressão (ok, infelizmente voltei às transgressões de peão...).


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Circulando, circulando.

aqui falei de como nem sempre é fácil gerir a emoção quando se anda de transporte público. Todavia, poderia acrescentar que quem fala em transporte público, fala em transportes, em geral. Eu confesso: tenho medo de andar de automóvel no Rio de Janeiro. Não se pense que sou medrosa, mas há coisas que, não dependendo de mim, me fazem mais receosa do que me rodeia: ultrapassagens pela direita, desrespeito pelas prioridades, desrespeito pelo sinal vermelho - desrespeito da parte de automobilistas e peões, leia-se! -, circulação em sentido oposto ao permitido (sim, já vi, ainda que uma só vez). Ah, não esquecendo - claro - os excessos de velocidade, as travagens em cima do condutor da frente ou, no caso dos motociclistas, a não utilização do capacete.
Não será de estranhar, como está bom de ver, que todos os dias se vejam cenários como o da foto. Alguns com feridos e/ou mortos, infelizmente.
Não se estranhe algo que também já presenciei várias vezes: os bate-boca entre automobilistas. Sim, ou porque ultrapassou sem dar sinal, ou porque fez isto, ou porque fez aquilo. Houve uma vez em que os motoristas dos veículos ligeiros encostaram as viaturas e depois se dedicaram a "acesa" discussão, com ameaças físicas para ver quem seria o mais forte.
Portanto: "quem avisa, vosso amigo é".
Neste dia não estava ninguém a passar no local. Foi na esquina de casa, pouco antes de sairmos para o trabalho.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Andar de transporte público no Rio de Janeiro: o metrô.

Já aqui falei do ônibus, mas também da minha preferência pelo metrô. Apesar de nem tudo ser perfeito, andar de metrô é muito cómodo, embora reconheça que não é um meio de transporte acessível a todos, quer por causa do valor que se paga, quer por causa da dimensão da linhas. Por um lado, a rede de metrô do Rio de Janeiro tem apenas duas linhas em funcionamento: a linha 1, que liga a estação de General Osório (Ipanema) à de Uruguai (Tijuca), a 2 liga a estação de Botafogo (Botafogo) à da Pavuna (Pavuna), a 3 - supõe-se que ligará Nitéroi a São Gonçalo (esta linha ainda não saiu do papel) e a 4 (em construção), que ligará a estação do Jardim Oceânico (Barra da Tijuca) à da Nossa Senhora da Paz (Ipanema). Ao fim-de-semana e feriados, todos os passageiros que desejem viajar para o sentido Pavuna deverão fazer transferência na estação Estácio. Se viajam da Pavuna para a zona sul também terão de fazer a transferência na estação Estácio.
Estação de metrô "Siqueira Campos"
(crédito da foto: ANFS).
No site da "Metrô Rio" há a possibilidade de cada passageiro planear antecipadamente a sua viagem. Contudo, se preferir, pode usar outros recursos como o Google Maps, o qie lhes permitirá avaliar outras opções de transporte complementar.
Para quem tem bicicleta - própria ou das "laranjinhas" do Itaú - ou prancha de surf, saiba que também as pode transportar no metrô, mas há algumas regras que devem conhecer.
O preço de cada bilhete de metrô é de 3,70 brl e cada pessoa pode fazer a recarga do seu cartão pré-pago nos equipamentos disponíveis e que normalmente não ficam muito distantes das bilheteiras. A par das duas linhas de metrô, que ligam a zona sul à zona norte e vice-versa, existem ainda 13 pontos de integração com o ônibus, de modo a que os passageiros possam chegar onde o metrô ainda não é disponibilizado. Existe ainda o metrô na superfície, embora neste caso apenas alguns bairros da zona sul estejam abrangidos.

Espero que tenha ajudado e que possam viajar e visitar o Rio de Janeiro de uma forma cómoda e prática!


domingo, 28 de junho de 2015

Ah, as viagens de ônibus...

A primeira vez que andei de ônibus (autocarro) no Rio de Janeiro tive um único pensamento: vou morrer! Para alguns que não conhecem esta realidade, o comentário pode parecer um tanto exagerado, mas, na verdade, foi isso que me veio à cabeça. Ultrapassagens a alta velocidade, passagem quando o semáforo está vermelho, travagens bruscas, proximidade aflitiva do veículo da frente são apenas detalhes desta aventura que é a de andar de ôbus no Rio de Janeiro. Não foi diferente quando comecei a andar de táxi, mas a verdade é que neste caso parece-me que há - globalmente falando - maiores cuidados.
Enfim, toda uma série de detalhes aos quais não estava habituada, confesso. Mais estranho é ouvir outros relatos que, a par dos detalhes anteriores, ainda acrescentam o que considero um "must": ter de dar indicações ao motorista. Sim: alguns destes motoristas são chamados para o cargo quase de um dia para o outro e, não raras vezes, desconhecem o trajeto que têm de fazer. Por isso, não é de estranhar que frequentemente tenham de contar com a ajuda e experiência prévia dos passageiros. Infelizmente, esta é uma situação muito comum e uma vez mais fomentada pela alta rotatividade deste tipo de profissão, bem como pela falta de formação profissional adequada.
Mas, não se desiludam: o que não falta são os cenários insólitos. Motoristas que não param no ponto habitual ("ponto" é o local oficial de paragem, como se diz por aqui) porque, ou estão com pressa para terminar o seu turno, querem encurtar o trajeto (sim, isso acontece: ônibus que se desviam da sua rota oficial) ou por outros motivos que nem sempre chegamos a conhecer. 
A par das situações enumeradas, há outras que escapam ao desempenho do motorista. Falo, por exemplo, das invasões dos ônibus. Geralmente feita por grupos que tentam forçar a porta de saída do ônibus, nem sempre estas invasões são sinónimos de assalto: às vezes "apenas" significam que a rapaziada quer andar de transporte público sem pagar. Já vi uma destas situações e posso assegurar que, ou o motorista abria a porta, ou os vândalos destruíam o veículo!
É ainda frequente que nos cruzemos com vendedores ambulantes de rebuçados e/ou guloseimas diversas nos ônibus (mais do que no metro). Normalmente, estes vendedores pedem autorização ao motorista para entrar pela porta traseira do veículo, evitando assim pagar o bilhete da viagem. Alguns destes vendedores "recompensam a gentileza" dos motoristas com algumas porções da sua mercadoria.
Exemplo de catraca existente em alguns ônibus
(crédito da foto: ANFS).
No que se refere à organização do transporte por ônibus houve um detalhe adicional que me chamou a atenção: a presença - não em todos, mas na maior parte dos ônibus - de um(a) cobrador(a), envolvido numa espécie de "refúgio" composto por barras metálicas. A par disso, a existência de catracas metálicas que o passageiro apenas passa, após ver a validação do seu bilhete/passe também foi algo a que não estava particularmente habituada.
Desengane-se também quem pensa que ao entregar o pagamento da sua viagem fica com algum papel/comprovativo da sua despesa: é feito o pagamento ao cobrador ou motorista, mas não é devolvido qualquer comprovativo ao passageiro. Ou seja: nem há bilhete, nem há recibo.
Para aqueles que quiserem comprar previamente um passe de ônibus (ou espécie de...) ou quiserem conhecer um pouco mais do funcionamento deste tipo de transporte, sugiro a consulta deste site ou deste. Caso o passageiro esteja perdido ou pretenda fazer alguma reclamação sobre a conduta do motorista ou outro transtorno que possa ter ocorrido durante a viagem, então tem ainda outros canais: aqui ou aqui.

Ah, não se assustem: há ônibus com bons motoristas e sem os percalços que referi anteriormente. Contudo, não se iludam: a Cidade Maravilhosa também tem os seus defeitos :)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Triciclo às voltas numa cidade caótica.

Enquanto os posts sobre a "Comida di Buteco" estão a ser trabalhados, quero falar-vos de um transporte curioso existente nesta cidade.

Um dos aspectos que muito me surpreendeu ao chegar ao Rio foi a presença de um veículo que não via em Portugal. Com o passar do tempo, fui-me habituando à sua presença pelas ruas da cidade do Rio e hoje até consigo entender o porquê da sua existência: o trânsito nesta cidade é caótico! De acordo com os resultados obtidos recentemente e pelo segundo ano consecutivo, o Rio de Janeiro ocupa o terceiro lugar no conjunto das 146 cidades mais congestionadas do Mundo. Excesso de automóveis? Falta de alternativas de transporte público? Geografia pouco favorável? Falta de infraestruturas rodoviárias? Enfim, muitas poderão ser as causas apontadas para este pouco honroso terceiro lugar.

Triciclo com os garrafões de água vazios (Crédito da foto: ANFS).
Bem, mas voltando ao veículo. Trata-se de um triciclo que permite transportar desde água (garrafões cheios e vazios), comida, electrodomésticos, gelo, etc. Circula um pouco por toda a cidade e permite fazer as entregas, por exemplo, das compras feitas nas várias lojas de bairro. É composto por uma parte semelhante à traseira com pedais de uma bicicleta; na frente existe uma espécie de carroço com duas rodas. Quanto ao condutor, umas vezes vai manobrando o triciclo com as mãos cruzadas, outras de mãos agarradas ao carroço.

E vocês, já viram estes triciclos pelas vossas bandas?