sexta-feira, 29 de maio de 2015

Os podrões - não, à partida não é tão mau como parece.

O verdadeiro exemplo do que vos espera, quando comerem um podrão.
(crédito da foto: desconhecido)
Ao que parece, 28 de Maio é dia dos podrões. Na verdade, "podrão" ou "hamburguer" é, por aqui, a mesma coisa. Até há bem pouco tempo atrás, "podrão" era, para mim, um "cachorro quente". Felizmente que fui elucidada a tempo :)


Para quem não sabe, "podrão" é um termo que faz parte da gíria carioca. A "iguaria" começou a surgir em finais dos anos 90, na zona da Lapa, e facilmente se tornou num hábito incorporado na cultura carioca. Podemos encontrá-lo à venda em praças, pracinhas, saídas do metro, junto a casas noturnas, cinemas e afins. A panóplia de ingredientes que compõem o podrão é mais que muita.
Imagem inspirada no podrão de rua.
(crédito da foto: "Idea X")
Em alguns casos, podemos estar a falar de uma composição que chega a cansar, quando enumerada: sanduíche básico com hambúrgueres, linguiça, chester, fiambre, catupiry, salaminho, salsicha, ovo, queijo cheddar, bacon, provolone, queijo prato, cebola, alface, cenoura e pães de hambúrguer.

O termo, aumentativo de "podre" deriva da má reputação de alguns dos vendedores ambulantes, que usariam ingredientes de procedência pouco confiável e às vezes fora da validade. Além disso, as condições de higiene dos ambulantes nem sempre são submetidas à fiscalização da Vigilância Sanitária o que, como é fácil de adivinhar, em certos casos resulta em alguns problemas digestivos. Felizmente, outros vendedores tomam gosto no que fazem e cultivaram fama localizada.

Graças aos fenómenos televisivos, o hábito do "podrão" tem sido exportado para outras regiões do Brasil e estrangeiro. Para muitos, o termo é também aplicado a outras variedades de "hot dog", sanduíches e salgados vendidos por ambulantes, o churrasco grego (variedade de kebab vendida em São Paulo) e o X-tudo do Rio Grande do Sul. Também em São Paulo, é hábito colocar queijo cheddar e puré de batata nos podrões.

E vocês, ficaram com vontade de experientar?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tema quente: taxa de serviço.

Não bastando os preços absurdos da restauração e demais serviços na cidade Maravilhosa - nada contra, se, ao menos, o elevado preço correspondesse a um serviço de alta qualidade-, ainda temos direito a "bónus": taxa de serviço. 
Referência ao facto de o pagamento da taxa de serviço não ser obrigatório.
(crédito da foto: ANFS)
Quem "pousa" pela primeira vez no Rio de Janeiro e precisa de ir almoçar ou jantar em qualquer restaurante da zona, fica a perceber - quando lhe entregam a conta do respasto -, que tem um valor "extra" para pagar. Ninguém avisou, ninguém preparou, mas está lá: é a taxa de serviço. Supostamente, serão 10% ou 12% (neste caso, menos frequente, mas já visto) sobre o valor consumido. Diz-se que será para recompensar o mérito dos funcionários e que, por isso, esse valor lhes será entregue. Diz-se também que o pagamento desta taxa não é obrigatório.
De acordo com a Lei estadual 4894/2006, qualquer percentagem acima de 10% é ilegal. Se a casa insistir, o cliente deve reclamar no Procon ou denunciar pelo telefone 151.
Exemplo da conta num dos restaurantes do Rio: "acréscimo" de 10%.
(crédito da foto: ANFS)

Além da famigerada taxa, existe outro "extra" que a mim particularmente me incomoda: a taxa do couvert musical. Sim: se porventura existe música ao vivo no local onde decidem almoçar ou jantar, no final, quando recebem a conta, não é raro aparecer mais um valor para pagarem, o valor do couvert musical. É certo que não é obrigatório, mas não deixa de ser algo, uma vez mais, bizarro e difícil de aceitar, sobretudo se não foi o cliente a solicitar que houvesse música ao vivo. A solução pode passar por... não pagar: nem taxa de serviço, nem couvert musical. E é nessa altura que entram os olhares matadores dos funcionários.

Há outras questões implícitas e relacionadas com a existência da taxa de serviço na factura entregue ao cliente: quem garante que o valor é realmente entregue aos funcionários? Como é que a empresa que emite a factura comprova à Receita Federal que o valor da taxa de serviço não é um proveito? Mais, nos casos em que a taxa de serviço tem de ser paga em dinheiro e a conta restante foi paga em cartão, como obter comprovativo do pagamento da taxa de serviço se o cliente tem de entregar o comprovativo de despesa à sua entidade patronal? Difícil, 'né? No entanto, acontece. E muitas vezes!

"Gorjeta", "caixinha", "taxa de serviço", "couvert musical", não importa: deve ser, na minha opinião, sempre opcional e nunca aparecer na factura.

E vocês, o que pensam sobre o assunto?

terça-feira, 26 de maio de 2015

BikeRio ou as bicicletas laranjinhas.

O Rio de Janeiro tem várias formas de se dar a conhecer. Uma delas é através da bicicleta, alugada ou não. 
Apesar de os últimos dias terem sido profícuos em histórias menos positivas em relação a ciclistas ou meros transeuntes que fazem a sua vida, mais ou menos turística, mais ou menos profissional, mais ou menos pessoal, a verdade é que a bicicleta pode ser um excelente auxiliar para descoberta da cidade.
Actualmente, a cidade do Rio de Janeiro, uma das 20 mais cicláveis do Mundo, conta com 251 estações BikeRio, distribuídas por 300 km de ciclovias, com previsão de serem 450 km em 2016. Para quem quiser conhecer um pouco mais do mapa clicloviário da cidade, sugiro que passem por esta página.
Momento pós-chuva: todas as bicicletas inoperacionais (crédito da foto: ANFS).
Mas, falava eu de estações BikeRio. E o que é a BikeRio, para quem não sabe? As bicicletas da BikeRio estão disponíveis em estações distribuídas em pontos-chave da cidade. Trata-se de uma solução de meio de transporte de pequeno percurso para facilitar o deslocamento das pessoas nos centros urbanos. Através de um pré-registo na plataforma BikeRio, o ciclista pode optar por adquirir um passe mensal (válido por 30 dias e com um custo de 10 reais) ou diário (válido por 24 horas após a aquisição e com um custo de 5 reais). Qualquer pessoa, residente no Brasil ou turista, pode circular com estas biciletas, de cor laranja e presentes em vários pontos da cidade. Para saber como, explorem as informações disponibilizadas na página da iniciativa.
E agora perguntam vocês: e essa história da BikeRio funciona bem? Hum, nem sempre: em dias de sol, normalmente não há bicicletas porque todo o mundo quer a sua; nos dias de chuva ou de tempo mais "farrusco", normalmente o sistema de retirada das bicicletas está com problemas técnicos e isso impede que se possa utilizá-las.

E vocês, na vossa localidade também têm sistema de aluger de bicicletas? Se sim, como funciona?

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Espanhol, francês ou língua linda demais.

Algo que muitos de nós repara quando chega ao Brasil é que nem sempre somos compreendidos (no que diz respeito ao nosso discurso, entenda-se). O famoso "oi" ou um "não entendi" são quase sempre fórmula de saudação. Perante este facto, restam-nos duas soluções: respirar fundo e falar um pouco mais devagar ou, sempre que necessário também, adaptar o discurso. Reconheço que, quanto à adaptação do vocabulário ou tropicalização da fala, não existe consenso entre as pessoas com quem tenho privado. Contudo, sou a favor de que se adapte o discurso para que haja entendimento na comunicação. Não sou adepta, contudo, de renegar as origens: é possível a adaptação efectiva ao Brasil, sem necessidade de se ridicularizar com tentativas vãs de "abrasileirização".
Crédito da foto: desconhecido (retirada da internet).
A propósito, não me canso de lembrar uma conversa passada com uma Portuguesa. Dizia-me que, sempre que necessário, mudaria o chip para poder ter conversas com Brasileiros. Obviamente que sou a favor, sobretudo quando se trata de condicionantes laborais, como era o caso.
Ora, ultrapassada a primeira fase do problema linguístico, seguem-se novos episódios, quase sempre acompanhados de comentários como "você fala que língua?", "você fala uma língua estranha", "oba, você já fala português muito bem" (isto depois de alguma tropicalização linguística) ou outros que tais. Quem nunca passou por algum destes episódios que se acuse!

Bem, mas quando pensava que já tinha visto tudo, o pior aconteceu (e não raramente, repetiu-se):

Atendente (colaborador de loja) - "Oi, boa tarde. Precisando de ajuda?"
Eu - "Boa tarde. Sim: precisava de umas Havaianas, pretas simples, tamanho 37 europeu."
(medo, tenham muito medo)
Atendente (hesitante e confuso sobre a melhor forma de abordar este cliente especial)- "Claro. Te voy a ayudar"
(terror: devo ter ouvido mal, pensei)
(alguns minutos mais tarde...)
Atendente - "Aqui están las Habaianas"

Claro que, quase em estado de enfarte eminente, agradeci e já não quis Havaianas nenhumas (às vezes também tenho mau feitio!).

Mas que raio foi aquilo?!!?!! Um coisa é dizerem que não me percebem. Outra, bem diferente, é falarem com uma cidadã portuguesa, utilizando uma mistura de espanhol (ou coisa parecida!), francês ou assim-assim, só porque não percebem que português de Portugal e português do Brasil são muito parecidos?!
Só a mim é que isto parece mais do que "desatenção"?

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Wi-fi por aqui e por ali.

Um dos aspectos que me continua a surpreender por aqui é que em quase todo o lugar que se vá (para comer e beber, sobretudo) existe disponibilização de senha wi-fi. Ok, se calhar não vemos tão frequentemente essa disponibilidade nos quiosques junto à praia ou nos de venda ambulante de biscoitos, bebidas e afins; mas é certo que está mais ou menos generalizada pelo Rio de Janeiro a disponibilização da senha aos clientes.
Crédito da foto: desconhecido.



Posso estar errada, mas não me lembro de ser tão comum em Portugal.
Ora, eu particularmente sou adepta da política: não só porque uso frequentemente as redes sociais e whatsapp para combinar coisas com os amigos e colegas, mas porque quando atinjo o meu plafond mensal de internet, fico sem qualquer acesso aos dados móveis. A propósito, o assunto tem merecido alguma polémica por estas bandas.

Bem, mas acontece-me frequentemente pedir a senha wi-fi e por vezes não sou surpreendida - senhas 123456789 ou 987654321, são muito frequentes. No entanto, há um local em que todas as semanas (suponho) as senhas são alteradas. Olhem só os mimos: "sejabenvindo", "veioprapagar", "voltequerido", entre outros.


E vocês, já tiveram direito a senhas wi-fi originais?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O porteiro.

Confesso que não estava habituada: ter alguém que controla cada hora de entrada ou saída em casa é algo que me provoca algum desconforto. No meu caso, o controlo faz-se das 7 até às 22 horas, mas não são raros os locais em que o controlo é feito de modo permanente. Falo dos porteiros, figura sobejamente comum nos prédios do Rio de Janeiro.
Mais câmara, menos câmara, mais portão de ferro maciço, menos portão, mais gradeamento do chão até ao céu, menos gradeamento, mais campaínha com som estridente, menos campaínha, mais pedido de identificação, menos pedido. Enfim, o certo é habituarmo-nos. Não foi diferente comigo.
Panóplia de acessórios de apoio do porteiro cá de casa (crédito da foto: ANFS).

O que é certo é que, ou não vemos de todo, ou é muito raro haver porteiros nos  prédios em Portugal e daí a minha admiração pela sua existência por aqui. 
No caso dos porteiros do meu prédio, não estão armados, mas encontram-se com um uniforme que facilmente os distingue dos restantes moradores. Não sei se em prédios mais recentes os porteiros estarão armados ou não. É bem possível que, nestes casos, a figura do porteiro tenha sido substituída pela do segurança e esse, provavelmente, estará armado.
Aliás, ver seguranças armados é algo perferitamente banal por aqui: a cada ida a uma instituição bancária somos confrontados com autênticos gorilas, armados e com colete à prova de bala.

E vocês, no vosso prédio também têm porteiro?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Comida di Buteco: testemunho.

Fim-de-semana à porta e impõe-se a questão: o que fazer? Independentemente do local em que se encontrem, sugerimos que experimentem sítios novos, para visitar, degustar ou simplesmente para passear ou arejar as ideias. 


Bem, no que toca a comidas e bebidas, como já aqui se disse, a edição "Comida di Buteco" de 2015 teve como tema central as frutas, que deveriam estar presentes nos pratos a concurso. No que me diz respeito, testei vários locais na zona Sul do Rio: Baixo Gago (Laranjeiras), Botero (Laranjeiras), Bar Palhinha (Humaitá), Bar Urca (Urca), Boteco Carioquinha (Lapa) e Os Imortais (Copacabana). Os preços praticados para os pratos que testei foram de 12BRL a 34,90BRL. Esta diferença de preços poderá estar relacionada, a meu ver, com as quantidades proporcionadas, bem como o tipo de produtos que entraram nos referidos pratos.

Prato a concurso, no Botero (crédito da foto: ANFS).
Gostaria de destacar aqui alguns dos aspectos que me pareceram relevantes: nível prato, envolvência, atendimento e efeito surpresa. Refiro que esta é a minha opinião pessoal e que nenhuma influência tem no resultado final do concurso "Comida di Buteco".

Prato: Botero. Maravilhoso! Não sei se porque os sabores eram diferentes daqueles a que enquanto Portuguesa estou habituada, mas fiquei agradavelmente surpreendida por um prato bem farto, onde a presença do chutney de jiló e a farofinha crocante de coco me fizeram sonhar. Acho que este prato vai ficar na lembrança por uns belos tempos. Parabéns!

Mureta da Urca (crédito da foto: ANFS).
Envolvência: Bar Urca. O pequeno bar, nas mãos do Português Armando Gomes e sua família, localiza-se numa esquina entre a rua Cândido Gafree e a Avenida João Luís Alves, na Urca, e é acompanhado de um dos detalhes mais soberbos do Rio: a mureta da Urca, com vista para a Baía de Guanabara, Cristo Redentor, Ponte Rio-Niterói e ainda, de bónus, permite ter uma pequena imagem das descolagens a partir da pista do areoporto Santos Dumont. O prato apresentado a concurso é a versão petisto do famoso Camarão na Moranga, ali servido.

Atendimento: Botero. Hesito aqui, porque, apesar de ter sido razoavelmente bem atendida em quase todos os bares, talvez tenha sido este o que mais fez diferença. Embora tenha havido um erro na conta apresentada, não me parece motivo suficiente para penalizar a atenção dos colaboradores e a disponibilidade para explicar o prato e bebida - apesar de uma casa cheia e com fila de espera (isto porque rapidamente o colaborador compreendeu e corrigiu o erro, pedindo desculpa).
    Efeito surpresa: Baixo Gago. Estação de metro do Largo do Machado, mais meia dúzia de passos e, voilà, chegámos. Gente até à porta, como não seria de esperar em período de fim-de-semana. Embora não se trate de uma surpresa ao nível do prato, achei por bem referi-la. Em Portugal não é muito comum este "fenómeno", mas que aqui é frequente: garrafas de cerveja de 600ml. No entanto, desta vez não era uma cerveja qualquer: era cerveja Sagres, feita no Brasil. Apesar do diferente sabor, por momentos regressámos a casa.

    Bem, agora é esperar para saber qual o prato vencedor no Rio de Janeiro (e desejar que o possamos ter provado). Não deixem de visitar a nossa página no facebook: vamos colocar por lá mais fotos.

    E vocês, experimentaram algum prato da "Comida di Buteco"? Ficaram com vontade de experimentar?