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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Frutas, legumes e experiências várias.

Quem me conhece sabe o quanto gosto de experimentar espaços e comidas novas.
Lembro-me de ter chegado ao Rio e começar a explorar as ruas de Copacabana. Como também é sabido, tenho um péssimo sentido de orientação geográfica (ou um óptimo sentido de desorientação. É escolher!), o que me leva a sítios engraçados mas que ficam efemeramente na memória, porque não consigo facilmente reter a localização. Num desses dias de "perdição" descobri as "feiras livres", de que já falei anteriormente. Já descobri igualmente outros espaços interessantes e, com o tempo, fui arranjando forma de não lhes perder o rasto.
Jaca, ainda não "amanhada"
(crédito da foto: ANFS).
Ora, cada vez que podia (e posso!), tentava trazer um produto novo para experimentar. Confesso que sou adepta de frutas e que foi nesse âmbito que fiz as primeiras experiências: fruta do conde, seriguela, jabuticaba, fruta de pão, goiaba, jaca, atemoya.
No caso dos legumes, comecei por achar estranho aquele produto que via a ser cozinhado numa panela improvisada feita com cocos verdes: era aipim! Antes de ser frito, tem de ser cozinhado. Em Portugal nós também vemos o aipim à venda, só que este é maioritariamente conhecido por outro nome: mandioca. A primeira vez que comi aipim fiquei imediatamente fã (frito, a acompanhar arroz, feijão e picanha).

Mandioquinha ou batata barôa
(crédito da foto: internet).
A par do aipim, a mandioquinha ou batata baroa, como também é conhecida, é outro dos legumes de que gosto particularmente: trata-se de uma espécie de cenoura, mas de cor branca. Já comi em puré e salgadinhos e em ambos os casos gostei bastante.

Resumindo, ir às compras de frutas e legumes pode ser uma atividade bem interessante, sobretudo para quem, como eu, gosta de fazer experiências: pode sempre trazer-se uma unidade para experimentar e, caso não se goste, não se repete. É possível – e talvez mais fácil – fazer estas experiências nas idas aos supermercados!

Frequentemente Mr. Google dá a resposta às minhas perguntas: como é que isto se come?

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um problema chamado cebola. Ou alho.

Uma ida ao supermercado pode ser um verdadeiro suplício. Sim: o inferno, não raras vezes. 
A nossa mente tem se preparar para ser levada pelo susto: ora é por causa dos preços que não param de subir, ora é porque as arcas estão descongeladas, ora é porque alguém resolveu incomodar-se por qualquer motivo e desatou a insultar o outro cliente na fila, ora é porque o produtos da arcas congeladoras estão descongelados e cheiram a podre (sim, conhecimento de causa falando!), ora é porque pegamos um produto que, à semelhança dos demais, já se encontra aberto, ora é porque as pessoas não têm a mínima noção de civismo e deixam as suas carnes congeladas junto às caixas de pagamento (escusado será dizer que a carne descongela até que seja novamente recolhida e vai novamente congelar!). Enfim, é certo que há locais onde chegamos ao cúmulo de encontrar estas situações todas ao mesmo tempo. Felizmente, também os há onde as coisas correm bem (não deveria correr sempre?): os funcionários estão constantemente a verificar se as frutas e os legumes estão em bom estado, se os há que não estejam, são retirados; os clientes são cumprimentados à chegada e à saída; há filas para clientes prioritários e estas são respeitadas; não há congelados (o que faz com que também não haja risco de encontrar produtos que foram congelados e depois descongelados); o cliente é ajudado a ensacar os seus produtos. Enfim, como em todo lado: nem tudo corre sempre bem, mas muitas vezes corre demasiado mal!
Ultimamente, porém, algo que tem causado imensa perturbação por estas bandas é o elevado preço da cebola e do alho, dois dos ingredientes mais presentes e indispensáveis na cozinha tradicional brasileira. É certo que, à semelhança do que acontece com a batata ou com o tomate, por exemplo, os preços dos produtos hortícolas oscilam muito de uma semana para a outra - numa semana estão a 6 reais, na seguinte podem estar a 4 ou a 3 ou encarecem na mesma proporção. Portanto: nada de estranho. Mas, o que tem acontecido com a cebola e o alho é algo que realmente tem perturbado: cebola que não varia muito dos 9 reais e alho, bem, esse, é melhor verem com os vossos olhos. Poderíamos justificar "apenas" com a questão da época da safra, mas suponho que estas questões terão um significado bem mais delicado que esse!
Preços desta semana (não foram os mais caros que vi: noutro local, os mesmos produtos a 9,99 e 19,90 reais, respetivamente).
(Crédito da foto: site do supermercado Pão-de-Açúcar).

Convém relembrar um detalhe muito importante: o salário mínimo é de cerca de 800 reais (bem menos de 300 euros!!!). Vale a pena dizer algo mais? Continuo a ser uma pessoa com fé na Humanidade, mas às vezes fica meio difícil!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Feiras livres: cores e cheiros.

Ao contrário do que habitualmente via em Portugal, aqui no Rio de Janeiro as feiras semanais que se encontram espalhadas pelos bairros da cidade, não incluem a venda de roupa, sapatos e outros artigos não comestíveis. Aqui, encontramos desde legumes e ervas aromáticas, frutas, peixe, ovos, frangos, queijos, flores a biscoitos de feira. A par deste tipo de feiras, também há as feiras de artesanato, antiguidades, etc. No entanto, nestes casos, a regularidade não costuma ser semanal.
Porções de pimentas
(Crédito da foto: ANFS).
A estas feirinhas, com dias específicos para se realizarem em cada bairro, chamam-lhe "feiras livres". Para quem quer conhecer o dia e bairro em que acontece cada feira, basta aceder ao link.  Parece que não é clara a origem das feiras livres: uns dizem que surgiram em 500 a.c. no Médio Oriente, outros, na Idade Média, associdadas a festividades religiosas. No caso concreto das feiras existentes no Rio de Janeiro, estão maioritariamente associadas a origens Portuguesas e/ou trabalhadores oriundos do Nordeste do Brasil. Para que se tenha uma ideia mais precisa: actualmente existem cerca de 200 feiras livres no Rio, nas quais participam quase 6000 trabalhadores, que por sua vez movimentam cerca de 13 mil toneladas de produtos/mês.
Legumes vendidos em sacos:
nem sempre está o mesmo número de unidades em cada saco
(Crédito da foto: ANFS).
Salvo algumas exceções, normalmente os legumes, ervas aromáticas e frutas não são pesados em balanças. Estes são vendidos por lote, saco previamente composto por X unidades de produto ou tijela, em que cabem Y unidades (exemplo: venda dos pequenos frutos, como a jabuticaba). Não raramente também se vê a venda de "3 por 5", o que na realidade significa "três unidades de um produto, por 5 reais", por exemplo.
Eu, particularmente, gosto destas feiras: pelo cheiro, pela movimentação de pessoas, pelos pregões, pelas cores, pela observação das técnicas de venda e, sobretudo, pela oportunidade de trocar meia dúzia de palavras com os comerciantes. Como disse anteriormente, algumas destas feiras têm origem portuguesa, o que ainda é muito visível: vendedores com origens em Viseu são os que mais tenho encontrado. E, sim, alguns ainda conservam o "bigode" e um ligeiro sotaque português, apesar de décadas de convívio com Brasileiros.

Vão vendo a nossa página do facebook: mais tarde publicaremos mais fotos.

Ficaram com curiosidade?